sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Educação escolar

Para Refletir...
Rousseau, no século XVIII, deixou registrado algo que parece bem contemporâneo....

"Que pensar então dessa educação bárbara que sacrifica o presente a um futuro incerto, que cumula a criança de cadeias de toda espécie e começa por torná-la miserável a fim de preparar-lhe, ao longe, não sei que pretensa felicidade de que provavelmente não gozará nunca?"

Fonte: Rousseau, Jean-Jacques. Emílio ou Da educação. São Paulo: Difel, 1968.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Filosofia e educação


Nos dias de hoje, quando a ciência vai refazendo o mundo e a onda de transformação alcança as peças mais delicadas da existência humana, só quem vive a margem da vida, sem interesses, sem posição, sem amores e sem ódio, pode julgar que dispensa uma filosofia.
Só com uma vida profundamente superficial podemos não sentir as solicitações diversas e antagônicas das diferentes fases do conhecimento humano, e os conflitos e perplexidades atordoantes da hora presente.
Na medida de nossas forças, construímos, então, uma filosofia e a ela nos acomodamos, tão bem como tão mal, em nossa ânsia e inquietação de compreender e de pacificar o espírito. Tais filosofias individuais não se articulam, porém, em sistemas filosóficos. Esses, quando não são criações pedantes de filosofia, representam e caracterizam uma época, um povo ou um sentido realístico de que falamos de filosofia, tal será a filosofia. A filosofia de um grupo que luta corajosamente para viver não é a mesma de outro cujas facilidades transcorrem em uma tranqüilidade e rica abundância.
Conforme o tipo de experiência de cada um, será a filosofia de casa um.
A vida vai, porém, assumindo aspectos mais gerais, dia a dia, e os predicamentos da filosofia irão também, assim, dia a dia, se aproximando.
À medida que se alargam os problemas comuns, mais vivamente sentidas será a falta de uma filosofia que nos dê um programa de ação e de conduta, isto é, uma interpretação harmoniosa da vida e das suas perplexidades.
Está aí a grande intimidade entre a filosofia e a educação. “Se educação é o processo pelo qual se formam as posições essenciais do homem – emocionais e intelectuais – para com a natureza e para com os demais homens, filosofia pode ser definida como teoria geral da educação”, diz Dewey.
“Com efeito”, acrescenta esse autor, “a não ser que uma filosofia seja puramente simbólica ou verbal, ou predileção sentimental de alguns, ou simples dogma arbitrário, o seu julgamento da experiência e seu programa de valores deve concretizar-se na conduta e, portanto, em educação. E, por outro lado, se a educação não quer se transformar em rotina e empirismo, deve permitir que seus fins e os seus métodos se deixem animar pelo inquérito largo e construtivo da sua função e lugar na vida contemporânea, que à filosofia compete prover”.
Filosofia se traduz, assim, “em educação, e educação só é digna desse nome quando está percorrida de uma larga visão filosófica. Filosofia da Educação não é, pois, senão o estudo dos problemas que se referem à formação dos melhores hábitos mentais e morais em relação às dificuldades da vida social contemporânea”.
Considerada assim, a filosofia, como a investigadora dos valores mentais e morais mais compreensivos, mais harmoniosos e mais ricos possam existir na vida social contemporânea, está claro que a filosofia dependerá, como a educação, do tipo de sociedade que se tiver em vista.
A filosofia de uma sociedade democrática é diversa da filosofia de uma sociedade despótica ou aristocrática.
Admitindo que nos achamos em uma sociedade democrática servida pelos conhecimentos da ciência moderna e agitada, em princípio, pela revolução industrial iniciada no século XVIII, a filosofia deve procurar definir os problemas mais palpitantes dessa nova ordem de coisas e armá-los para as soluções mais prováveis.
Nenhuma das soluções pode ser definida ou dogmática. A filosofia de uma sociedade em permanente transformação, que aceita essa transformação e deseja torná-la um instrumento do próprio progresso, é uma filosofia de hipóteses e soluções provisórias.
O método filosófico será, assim, experimental, no sentido de que as soluções propostas serão hipóteses sujeitas à confirmação das conseqüências.
Os ideais e aspirações, contidos no sistema social democrático, envolvem a igualdade rigorosa de oportunidades entre todos os indivíduos, o virtual desaparecimento das desigualdades econômicas e uma sociedade em que a felicidade os homens seja amparada e facilitada pelas formas mais lúcidas e mais ordenadas. Essas aspirações e esses ideais serão, porém, uma farsa, se não nos fizermos doar profundamente o sistema público de educação.
Wells disse, em alguma parte, que estamos hoje a assistir, no mundo, a um páreo entre a educação e a catástrofe iminente da civilização.
Sem chegarmos à hipérbole vigorosa de Wells, reconheçamos que nunca foram tão pesadas as responsabilidades que estão sobre nossos ombros.
De todos os lados lhe batem à porta. De todos os lados os lados as instituições humanas se abalam e se transformam. Transforma-se a vida econômica, transforma-se a vida industrial, transforma-se a igreja, transforma-se o estado, transformam-se todas as instituições, as mais rígidas e as mais sólidas – e de todas essas transformações chegam à cola um eco e uma exigência.
A escola tem que dar ouvidos a todos e a todos servir. Será o teste de sua flexibilidade, da inteligência de sua organização e da inteligência os seus servidores.
Esses têm de honrar as responsabilidades que as circunstâncias lhes confiam, e só poderão fazer, transformando-se a si mesmos e transformando a escola.
O professor de hoje tem que usar a legenda do filósofo: “Nada que é humano me é estranho”.
Tem de ser estudioso dos mais embaraçosos problemas modernos, tem que ser estudioso da civilização, tem que ser estudioso da sociedade e tem que ser estudioso do homem; tem que ser, enfim, filósofo...
A simples indicação desses problemas demonstra que o educador não pode ser equiparado a nenhum técnico, no sentido usual e restrito da palavra. Ao lado da informação e da técnica, deve possuir uma clara filosofia da vida humana, e uma visão delicada e aguda da natureza do homem.


(Teixeira, A. Pequena introdução à Filosofia da Educação; a escola progressiva ou a transformação da escola. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1971. p. 146).

Iniciando o blog

Olá povo,
Estou iniciando este blog com a finalidade de partilhar textos clássicos de filósofos acerca da educação, bem como pensamentos contemporâneos acerca deste ramo do sber tão importante em nossas vidas.
Assim leremos e discutiremos temas como filosofia da educação, arte-educação, politicas educacionais, etc.
Espero a colaboração de textos para fazermos um blog de conscientização sobre algumas questões relevantes sobre filosofia e educação
Abraços
Amauri